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Com Braços Fortes - Relato de Américo Colauto Filho | Foto: Estrada Buriti em 1951
Foto: Estrada Buriti em 1951 - Relato "Com Braços Fortes"
de Américo Colauto Filho


Com Braços Fortes - Relato de Américo Colauto Filho
Quinta-feira, 14/01/2016

Provavelmente, em 1952, vindo de Apucarana, Pirapó, meu pai, senhor Américo Colauto, chegou em Jussara para derrubar mato e formar lavoura de café, na Estrada Buriti, num lote de terra adquirido diretamente da Companhia.

Mais tarde, com meus pais veio apenas minha irmã mais velha. Minhas outras três irmãs e eu nascemos todos na Gleba Buriti. A área total do sítio era de quinze alqueires, mas ao meu pai coube uma área de dez alqueires de pura mata nativa e fechada. As condições para a formação dos cafezais nesse local era bastante favorável, por ser a região mais alta.

Entretanto, antes de trazer a família era preciso derrubar o mato. A derrubada foi no braço, machado e traçador. Trabalho de sol a sol para que tudo ficasse pronto para trazer a família. Por isso, um acampamento improvisado abrigava meu pai e o pessoal contratado para ajudar fazer a derrubada.

Com um Jeep , vinham todos, trabalhavam durante semanas e voltavam para casa em Pirapó. Depois enfrentavam outras semanas, e assim, semanas e semanas até toda mata estava no chão. Embora, a viagem fosse feita de Jeep, imagina as condições das estradas de Maringá até Jussara/Buriti. A viagem, às vezes, levava dois dias! Entretanto, diferente dos dias atuais, não se ouvia reclamações, toda aquela gente nova que também vinha para cá estava abrindo um município inteiro.

Mesmo até ao Rio Ivaí, depois de partir de Maringá, o que via era um “túnel” no meio da mata que pela lâmina de chão batido chegava brilhar e pela umidade lisa como um sabão depois de qualquer chuvisqueiro. Pelo menos na nossa região, o pessoal que estava derrubando as matas, formando lavoura de café, também ajudava a consertar as estradas com seus enxadões, enxadas, foices, machados, enfim, era preciso romper também essas dificuldades.

Claro, abrir a mata era de muito risco, muito perigo. Não apenas pelos riscos dos animais nativos e selvagens, onças, cobras e outros animais da mata, como aranhas e formigas venenosas; também muitos traziam peões que pouco os conhecia correndo riscos do desentendimento, brigas, conflitos.

Após vencer a mata, era preciso construir uma casa para receber a família. Meu pai com a ajuda do pessoal que também ajudara a derrubar a mata construiu no braço a casa, para os padrões da época, com os confortos necessários.

Depois de formada a lavoura de café, embora o local fosse mais alto da região, as geadas assustavam um pouco, sempre ameaçando arremessar por terra o grande sonho. Contudo, se conseguia boas safras que eram entregues em cafeeiras de Jussara, como do Corazza, e outros, como caminhões das próprias cafeeiras ou contratadas por elas. Como todos sabem, as ruas dos cafezais eram preenchidas com outras lavouras, como: milho, arroz, feijão que, tirada a reserva de consumo, o restante era entregue em cerealistas de Jussara.

Lembro-me que frequentávamos muito a venda, inclusive, a Igreja, a escola e campinho. Assim, frequentar Jussara era mais raro. Claro, nessa época tudo já estava colonizado, município muito bem habitado e a cidade formada.

Com orgulho quero registrar que meu pai foi vereador por dois mandatos e que também foi “Inspetor” na Gleba Buriti, uma função comum na época para resolver problemas de cada localizada, sejam bairros, glebas, estradas. Porém, o sonho do café se dizimou com a grande geada de 1975. E, a partir de 1976, passamos a morar na cidade de Jussara. Mas aí já é outra história.

Quero registrar, que tempos depois (2009-2012) me tornei vice-prefeito do município de Jussara, cargo que exerci com orgulho e honra.


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