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Pela trilha da mata - depoimento de Alcides Petita, segunda-feira, 11/01/2016 | Foto: Crédito José Juliani (Avenida Paraná, Londrina, em 1933)
Foto: Reprodução | Crédito José Juliani (Avenida Paraná, Londrina, em 1933)

Pela Trilha da Mata - Relato de Alcides Petita
segunda-feira, 11/01/2016

No final de 1951, com doze anos de idade, vim com minha família da cidade de Orlândia, do Estado de São Paulo, para formar lavoura de café no município de Jussara como arrendatário.

Com meus pais e irmãos, rompemos mata adentro pela Estrada Cristalina, que na verdade parecia apenas uma picada entre a mata densa, até encontrar o lote, cerca de oito quilômetros do então patrimônio de Jussara que começava a se formar.

A mata do lote de dezoito alqueires já havia sido derrubada por empreiteiros, a nós cabia agora fazer a queimada e plantar o café. Lembro-me bem, esse foi o primeiro lote aberto na Estrada Cristalina. Em seguida, outros foram chegando para fazer o mesmo: formar lavoura de café. Logo, a paisagem da estrada tinha sido mudada, da mata densa e perigosa à lavoura café.

Entretanto, o sonho também andou se esbarrando nas geadas constantes. O próprio Banco do Brasil começou a pagar para arrancar o café. Por teimosia ou sonho, insistimos até a grande geada de 1975 que devastou os cafezais do Paraná inteiro. De nossa propriedade sessenta mil pés de café foram dizimados e arrancados, agora já com trator. Novamente, fomos os pioneiros no plantio mecanizado da soja - o então apelidado da época de "feijão cabeludo".

A cultura de café havia ficado para trás. Entretanto, antes de migrarmos para a soja, experimentamos a cultura do algodão, mas foi por pouco tempo. Os fardos de algodão nós entregávamos em Cianorte, na Olivic. Antes, o café, entregávamos em cafeeiras de Terra Boa.

A cultura da soja se firmou. No início era trabalhoso, plantio manual e beneficiado em cambão ou nas pequenas máquinas trilhadeiras com a produção entregue em cerealistas aqui em Jussara. Entretanto, logo surgiu à mecanização e, tratores e colheitadeiras, vieram para substituir os serviços manuais e grandes cooperativas vieram para substituir os pequenos cerealistas.

Nota do Editor

Quando ouvimos relato de que "nos estabelecemos na Estrada Cristalina", por exemplo, não temos a real situação de como eram essas estradas. A foto acima de José Juliani (Avenida Paraná, Londrina, em 1933), dá a real dimensão da colonização de nossa região.

O cultivo da soja no Paraná começou timidamente entre ruas dos cafezais. A partir da quase dizimação dos cafezais na década de 70, essa lavoura ganhou impulso vindo em pouco tempo a substituir os cafezais na maioria das regiões do Estado.

No município de Jussara, em 1977, foi inaugurada a Cooperativa de Cafeicultores de Maringá - Cocamar. Devido à expressão "cafeicultores" não fazer mais sentido, uma vez que, os cafezais praticamente tinham sido erradicados, mudou-se para Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá. A cooperativa contribuiu com o grande impulso ao cultivo da soja e do trigo, disponibilizando técnicos e insumos e uma excelente infraestrutura de recebimento da produção em suas unidades de recebimentos em várias outras cidades, além de Maringá. Posteriormente, passou-se a ser denominada de Cocamar Cooperativa Agroindustrial.


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