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Os desbravadores movidos pela fé - Relato de Itsuo Kimura e Massonori Kimura, Quinta-feira, 21/01/2016, 11h30 | Foto: acervo kimura

Os Desbravadores Movidos pela Fé - Relato de Itsuo Kimura e Massonori Kimura
Quinta-feira, 21/01/2016, 11h30

Em 1928 a Família Kimura composta pelo Patriarca Ishinosuke, sua esposa Teru e os filhos, Tokitsugu, Ikunoshin, Shozo e Yoshiaki, imigraram ao Brasil no intuito de promover as missões exteriores da Igreja Tenrikyo, e se estabeleceram no estado de São Paulo, local de nascimento do caçula da família, Itsuo, e também onde fundaram um centro Missionário e passaram a congregar os seguidores da Fé.

Em 1947, Ikunoshin Kimura esteve nesta região para fazer demarcação de terras para CMNP. Em 1948, foi para região de Cruzeiro D'Oeste, Umuarama e Cerra Dourada, com o mesmo propósito: a demarcação de terras. Em 1951, a CMNP colocou à venda os lotes de terras, em Jussara.

Por sugestão de Ikunoshin, agrimensor, que já conhecia bem a região pelo trabalho desenvolvido na demarcação de terras para a CMNP, a família Kimura que residente em Mirandópolis, no Estado de São Paulo, na Colônia Primeira Aliança, onde as terras eram mistas, alcunhadas de fracas, decidiu ouvir o agrimensor que exaltava a qualidade da terra roxa encontrada aqui, e também havia o grande sonho de Tokitsugu de constituir uma comunidade em que as pessoas pudessem conciliar o trabalho e a Fé.

Assim, em maio de 1951, os Irmãos Ikunoshin e Tokitsugu (Kenji) Kimura, compraram os lotes de terras n° 162 e 162-A, numa área de 45 alqueires paulistas, na Estrada Buriti. No mesmo ano, em Junho, Tokitsugu e Yoshiaki Kimura, juntamente com o seguidor da fé, senhor Tokiwa Takizawa vieram para abrir parte do terreno dentro da densa Mata. No mês de setembro, os irmão Shozo e Yoshiaki, juntamente com a família Takizawa, se mudaram para esse novo endereço fixando residência, numa casa de palmito coberta de sapé.

A mata nativa e densa ainda precisava ser derrubada, mas essa tarefa coube a empreiteiros que além de derrubar e queimar, também assumia a tarefa de descoivarar a área, ou seja, executar os serviços de limpeza da terra de troncos, galhos e ramagens em coivara, ou seja, pilha de galhadas e tronco que não se queimaram inteiramente. Aos empreiteiros também cabia à tarefa de covar o café (produzir as covas), dependendo do acordo. Em 1952, as terras já estavam prontas!

Uma característica importante do desmatamento era que se o lote fosse grande, a própria CMNP dava a cabeceira já desmatada, mas para propriedades menores, os próprios proprietários eram os responsáveis pela derrubada.

O primeiro susto com a geada foi em 1954, porém, o café ainda estava nas covas não causou prejuízo, mas por volta de 1958 ou 1959, as lavouras já estavam formadas e a geada foi mais forte. Entretanto, depois de desgalhado após a geada, voltou a se formar novamente . Neste mesmo ano foi fundada nesta propriedade, a Igreja Tenrikyo Jussara.

Logo no início quando chegamos aqui a Estrada Buriti ainda não existia, mas foi aberta pela CMNP. Assim, quando precisamos de mantimentos ou ferramentas, íamos a pé por ela até a sede Jussara, principalmente, aos domingos; o comércio funcionava normalmente aos domingos. Na volta, trazíamos as compras nas costas. Então, quando chegamos aqui, o Patrimônio de Jussara já tinha a Casa Portuguesa, Casa de Secos e Molhados de Manoel José Soares, Cerealista Bordin, Hotel São Pedro, a Farmácia Lemos, entre outros comerciantes.

Quando chegamos de Mirandópolis, preocupados com a alimentação, trouxemos galinhas caipiras e porcos. Depois, compramos também uma vaca para garantir o leite das crianças. Essa era uma grande preocupação dos proprietários e das pessoas que vinham morar: formar logo, pasto, chiqueiro, galinheiro, etc. Claro que no início até macuco, queixada, cateto, veado, entre outros animais silvestres entraram no cardápio desses desbravadores das terras Jussarenses.

Em 1959, adquirimos um caminhão Chevrolet Brasil para transportar café até as cafeeiras em Jussara. A luta com o café durou até 1975, quando a grande geada dizimou os cafezais paranaenses. Assim, erradicamos nossos cafezais; entravam então os tratores com novas funções: arrancar os cafezais e preparar as terras para outras lavouras, como algodão, soja, milho e outras lavouras brancas.

Relato conclusivo

Sou sobrinho neto de Ikunoshin Kimura, como também sobrinho neto de Itsuo Kimura. Sou bisneto de Ishinosuke e Teru, neto de Tokitsugu.

Tomei a liberdade de acrescentar a nossa Fé. Diferente de outros imigrantes e colonizadores da época, o maior objetivo dos pioneiros da nossa família foi exatamente o fato de estarem sempre movidos pela fé que professavam, e gostaríamos muito se possível que esse fato também pudesse ser acrescentado a nossa história no intuito de preservar nossa essência. Obrigado pela atenção e respeito dirigido a nossa família.

(Massanori Kimura)


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