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Descarga de café em cafeeira de Jussara no final dos anos 1950 - Foto do acervo pessoal de Wilson Reki

O que Vi e Vivi na Cidade que Amo - Relato de Wilson Ap. Reki
Quinta-feira, 10/12/2015, 09h29

Cheguei a Jussara em agosto de 1954, vindo do Distrito de Pirapó, Município de Apucarana. Na época, tinha cinco anos de idade.

Vim na companhia de meus pais que resolveram deixar a roça, que era divido com todos os irmãos, para tentar um futuro melhor na cidade. Escolheram Jussara, onde já morava meu tio Geraldo Scramim.

No início, meu pai trabalhou na máquina de beneficiamento de Arroz que pertencia a meu tio, mas logo resolveu ser independente e escolheu a profissão de motorista, adquirindo um caminhão GMC (foto), com ajuda financeira de amigos, que logo foram todos pagos.

Nessa época, ainda não havia tantas casas em Jussara. A energia elétrica era gerada por um motor de propriedade do Sr. José Bordim e ainda assim não era para todas as casas. Somente no início da década de 60, mais ou menos no de 1962 ou 1963, não sei com exatidão, foi inaugurada a Cia Mista de Energia Elétrica de Jussara, empresa genuinamente Jussarense, na qual tive o prazer de trabalhar, realizando as leituras mensais dos relógios e imprimindo as faturas devidas, sob a Administração dos Srs. Arzelino Antunes e Alcides Sversuti.

Tenho recordação também da inauguração do Banco Comercial do Paraná, onde trabalhei por quase dez anos e no final estava exercendo a função de Contador. Nessa época, o professor e o bancário eram as pessoas mais valorizadas na sociedade.

Meus estudos foram iniciados em 1957 na primeira série do Grupo Escolar Senador Morais de Barros, cursando da primeira a quarta serie, depois Admissão e em seguida o ginásio que era da quinta e oitava série, num prédio em condições totalmente precárias, onde em dias chuvosos as goteiras se faziam presentes.

Cheguei em Jussara em 1954 como disse, e não quero deixar Jussara. É a cidade que vivi praticamente e toda minha vida. Tempos maravilhosos como também alguns não tão bons. Andei em ruas barrentas ou empoeiradas, pois não existia calçamento, muito menos asfalto.

Predominava as lavouras de café e entre as ruas de café, havia o arroz e o feijão plantados. Poucas casas, um pequeno hotel, máquina de arroz do Sr. José Iramina e depois também do Sr. Antônio Colauto, máquina de café do Sr. Manoel José Soares, do Sr. José Corazza, do Sr. Lino Paker, uma mercearia do Sr. José Bordim, na Rua Bandeirantes esquina com a Princesa Isabel.

Jussara tinha uma fantástica Banda de Musica, que teve como maestro o saudoso Sr. Gabriel Alves Bueno, da qual tenho orgulho de ter participado desde início, em 1960 até o ano de 1964, quando ela foi extinta por motivos que desconheço.

Banda Marcial de Jussara, de 1960 ao ano de 1964 | foto do acervo pessoal de Wilson Reki

Presenciei com muita tristeza a destruição da nossa Igreja Matriz, em 1960, causada por um raio, como também acompanhei com muita alegria a sua reconstrução.

Participei de muitas partidas de futebol no campo onde a gente chamava de explanada e depois se tornou área da Rede Ferroviária com a chegada do trem. Assisti a muitos filmes maravilhosos no Cine São Pedro e depois Cine Jussara, ou vice-versa.

Presenciei por muito tempo os lavradores que vinham para a cidade com seus carrinhos e cavalos para realizar suas compras de finais de semana, o que deixava nossos comerciantes felizes como de modo especial as Casas Pernambucanas, era a loja de tecidos preferida pela população, na qual também tive a honra de trabalhar.

Conheci também as serrarias existentes naquela época como a Serraria Tominaga, a Serraria dos Andrades e outras mais, dando emprego para muitos Jussarenses. Muitas outras coisas, se puxar pela memória, teria pra falar e oportunamente isso poderá acontecer. Jussara não é uma grande cidade, mas é a cidade que AMO.


Livro Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros  | Clube de Autores | Acleju

O texto acima está no livro "Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros"
(Ed. Clube de Autores, Pág. 49, 2016)


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