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A erradicação do Ouro Negro - Relato do pioneiro Nestor Marioto - Quinta-feira, 07/01/2015
Foto: Assisti, como muitos outros Jussarenses, o fogo devorar a Igreja,
no dia 16 de dezembro de 1960, na época do pároco Padre Cristiano.
Fico orgulhoso em dizer que ajudei a reconstruir a Igreja do Alicerce
até ao acabamento, relatou o pioneiro Nestor Marioto.



A erradicação do Ouro Negro - Relato do pioneiro Nestor Marioto
Quinta-feira, 07/01/2015

O desânimo com lavoura de café devido a grande geada de 1955 nos levou a vir morar em Jussara, no dia 17 de agosto de 1956, deixando para traz a Estrada Araripa, no município de Marialva.

Portanto, deixamos o laboro de empreiteiros para se instalar em Jussara, mas agora morando na cidade. No início, foi na Av. Dr. Gastão Vidigal, no meio do quarteirão de cima do atual calçadão. É bom lembrar que, nessa época existiam poucas casas, e logo acima da Rua Tiradentes era tudo mato. A foto (acervo: Wilson Reki) da Igreja Matriz antiga comprova isso. Observe ao fundo da Igreja a mata densa, nativa. A cidade, portanto, era apenas da Rua Tiradentes para baixo.

Quando chegamos aqui fui trabalhar na lavoura ainda por três anos, mas como "volante", na propriedade de um ou de outro. Mas meu irmão, juntamente com Genésio Toneto abriram uma barbearia, mais ou menos onde é a propriedade do Espósito, quase em frente à Casa Glória, que também não existe mais. Entretanto, após três anos meu irmão se mudou para Cianorte para onde levou a sua barbearia.

Após ter trabalhado na roça por uns três anos, comecei a trabalhar como carpinteiro, serviço que exerci aqui em Jussara por mais de trinta e cinco anos, construindo dezenas de casas. Depois, abri um bar, com o meu cunhado Roberto Gentiluce, o Bar Primavera, que por doze anos seguidos esteve em três endereços. Em frente ao Cine Santa Maria, antes Cine Jussara e no início Cine São Pedro; na Av. Dr. Gastão de Mesquita Filho.

Posteriormente, mudamos o bar para Av. Napoleão Moreira da Silva, à direita no sentido à Maringá, mas aqui mesmo perto do Centro. Depois, mudamos o bar na mesma avenida, quase em frente, onde ficou conhecido como o "bar da bocha", onde atualmente está o Escritório da Copel.

Quando cheguei aqui, pode-se dizer que não havia praças. Tinham os terrenos vazios para essa finalidade; pouquíssimas construções a sua volta. E aos poucos foram sendo construídas; lembro-me melhor da Praça da Igreja Matriz. Nós, na época, rapazes, ajudávamos a plantar grama, cuidar da praça e também não deixar ninguém estragar alguma coisa. O desenho da praça ou planta da praça foi feito por Daniel Godoi.

Assisti, como muitos outros Jussarenses, o fogo devorar a Igreja, no dia 16 de dezembro de 1960, na época do pároco Padre Cristiano.

A reconstrução da nova Igreja Matriz veio logo. Mas antes, um salão paroquial foi improvisado para as atividades da Igreja. Fico orgulhoso em dizer, ajudei a construir a Igreja do Alicerce até ao acabamento.

Jussara da época, muito pó em dias de sol. Muita lama em dias de chuva. E uma cidade lotada de carroça nos finais de semana para as compras nos comércios de secos e molhados, como Casa Glória, Catarinense, entre outras.

Em período de safra, os caminhões GMCs se movimentavam pelas ruas para entregar as colheitas nos cerealistas e cafeeiras, como: cafeeira do Sr. Lino Parker, cafeeira do Sr. Manoel José Soares, cerealista do Sr. Ozano, cerealista do Sr. Homero Porto, cafeeira do Sr. Gildo Rossi, cerealista do Sr. Yamao, cafeeira do Dr. Henrique.

Nota do Editor

O frio foi mais forte do que as promessas do Ouro Negro - o café como sinônimo de fartura e riqueza já na década de 1950 trazia alguma decepção. A grande promessa da colonização de tempo em tempo era dizimada pela geada: 1955, 1962, 1965, 1969 e a mais radical, 1975. Como se não bastasse, entre uma e outra dessas fortes geadas, havia as pequenas que prejudicavam a produção e levavam consigo o sonho de uma grande safra.


Livro Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros  | Clube de Autores | Acleju

O texto acima está no livro "Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros"
(Ed. Clube de Autores, Pág. 91, 2016)


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