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Minha formatura do Ginásio (1972) com minha irmã Pedrina, no interior do Cine Jussara
Foto: Minha formatura do Ginásio (1972) com minha irmã Pedrina,
interior do Cine Jussara, depois passou a se chamar Cine Santa Maria.



Do Trem a Saudade - Relato de Joaquim B. de Souza
Quarta-feira, 23/12/2015

Uma data que me lembro sempre carinhosamente é de minha chegada à Jussara. Há 48 anos eu cheguei em Jussara em companhia de meu avô João Honório de Souza e de minha tia Sebastiana Clara de Jesus, que veio transferida pelos Correios, na época DCT - Departamento de Correios e Telégrafos, do Distrito de Aquidaban, e de Irma Grilo, afiliada de minha tia.

A proposta de minha vinda, ao quatorze anos, era fazer companhia ao meu avô e acompanhá-lo; primeiro pela sua idade já avançada, em segundo, crítico ferrenho ao regime militar não media suas palavras em altos brados para criticar duramente as barbaridades, as atrocidades do pior regime e governo que vivenciei até hoje: a ditadura militar.

Em terras estranhas, isso poderia representar algum perigo se fosse mal interpretado, pois alguém poderia denunciá-lo, podendo ser perseguido até mesmo torturado, muito comum durante aquele regime.

De Aquidaban até aqui, em 1969, podia ser considerada uma viagem longa. Pois de Aquidaban a Marialva era uma de estrada de terra batida; de Marialva a Maringá menos mal - o asfalto. Porém, de Maringá a Jussara, aí o bicho era feio! Todo trecho de estrada de terra, pó em alguns trechos e barro em outros. De ônibus, quatro horas para fazer esse trecho.

Chegamos a Jussara na boca da noite. Tempo para se hospedar no hotel, antigo hotel São Pedro, onde hoje é a Ava Lanches e o Cartório de Registro Civil, ao lado do Cine Jussara, que depois passou a chamar Cine Santa Maria.

Do lado de baixo, nas duas datas vazias tinha um circo, da janela do hotel eu via toda a movimentação e pelo alto-falante do circo, soube logo que entre os artistas tinha uns conhecidos meus, dos tempos que morei em Maringá, na Vila Operária.

Um deles, um sanfoneiro na minha idade na época também estava sendo anunciado. Eu conhecia esse artista de Maringá, da época em que morei lá entre 1965 e 1966, mais ou menos por aí. Eu tinha estudado na mesma escola, na Vila Operária.

Tratei logo de avisar ao meu avô que iria dar um pulo no circo. Claro que a reação foi ao contrário me proibindo veemente, pois não conhecia ninguém ali. Conhecia sim, eu conhecia o artista do circo, numa feliz coincidência!

Fui ao circo apenas para cumprimentar o artista que depois de me apresentar na bilheteria me permitiram ir até ao camarim, oportunidade em que tive de reencontrar o colega que não o via há quase três anos, desde 1966. Depois de umas poucas palavras voltei para o hotel.

No dia seguinte, fomos para a nova casa, ao lado do Bazar Shimada, hoje Escritório de Contabilidade Ramos, ao fundo da barbearia do "Zé Cadare" e da Mercearia do Lino, onde hoje é a padaria do Manzini e da oficina Dioguinho Motos. Daí em diante, uma nova missão: fazer novos amigos. Pelo menos por hora, Aquidaban e Marialva tinham ficado para trás.

Do dia em que eu cheguei a Jussara, em 21 de junho de 1969 até o dia 02 de agosto do mesmo ano, meu primeiro dia de aula, no Ginásio Américo Carlos Cariani, não foi possível fazer amizade, apenas conhecer o primeiro deles, Odair Capelette, pois morávamos ao lado da padaria dos Capelette, e fazíamos compras lá.

Embora as férias do meio do ano ainda não tinham chegado, minha tia achou melhor esperar pelo mês de agosto, pois seria iniciado o segundo semestre num prédio novo. Pois, o velho prédio estava muito precário, chovia dentro, e estava localizado numa área de muita quiçaça.

No primeiro dia de aula, ao chegar ao Ginásio Américo Carlos Cariani, cumprimentei o Odair Capelette que já estava entre seus amigos. Odair me apresentou ao Hamilton, conhecido como Pirituba. Pirituba foi logo perguntando de onde eu tinha vindo; ao saber que era de Aquidaban, distrito de Marialva; disse firme, vai chamar Aquidaban! Está aí um apelido que muitos me chamam até hoje e eu faço questão de preservar.

O Pirituba me apresentou ao Mizael, que me apresentou ao Jorge Queiroz, que me apresentou ao Paulinho, o Paulo Tavares. Depois é claro, frequentando o ginásio foi possível fazer outras amizades. Mas a que perdura até hoje daquela época em destaque é com Jorge Queiroz e Paulo Tavares.

Jorge Queiroz é professor, historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, atualmente mora em Curitiba, mas mantém uma coluna site Notícias de Jussara PR, onde semanalmente gentilmente envia artigos importantes para publicação. O Paulo Tavares, com esse me encontro sempre, pois continua como eu, morando em Jussara, na época que nos conhecemos era denominada de "A Cidade Amizade".

Todos os dias à tarde eu sentava em frente ao salão do Zé Cadare para ver o pessoal que chegava de trem. A Av. Gastão Vidigal ficava cheia de gente que desembarcava e subia até ponto de ônibus, no Bar do Zé Ortiz, para tomar o ônibus para Cianorte, ou adiante. Sempre, a minha esperança era de que entre aquela gentarada toda podia estar um parente vindo de Aquidaban para nos visitar. Isso eu nunca vi acontecer!

Depois de sete meses, a saudade se tornou insuportável! Numa manhã de domingo fugi para retornar para a casa de meus pais em Aquidaban. Meu avô faleceu em 1979, dez anos depois. Minha tia, aos 94 anos, vive em Marialva junto de familiares.

Coclusão do Autor

O livro Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros será continuado, pois aqui não se esgotam os assuntos e não foram ouvidas todas as pessoas que deram grande contribuição na construção do Município de Jussara. A decisão de separar por volume é devido à obra ficar muito volumosa se todos os relatos fossem reunidos numa mesma edição.

Espero confiantemente que os pioneiros que ainda não foram ouvidos possam na medida do possível dar suas contribuições que, certamente, serão enriquecedoras para a história de Jussara.


Livro Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros  | Clube de Autores | Acleju

O texto acima está no livro "Histórias de Jussara na Visão de Pioneiros"
(Ed. Clube de Autores, Pág. 126, 2016)


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